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Legendado ou dobrado? O melhor é ver o seu filme ou série na versão original

Ver filmes, séries ou programas de televisão com legendas ajuda a alcançar um maior domínio da língua inglesa

De acordo com um recente estudo publicado pela revista académica Journal of Economic Behavior and Organization, as legendas são importantes. É que assistir filmes, séries e programas de televisão na versão original melhora o nível do inglês, como se conclui no relatório intitulado “TV or not TV? The impact of subtitling on english skills”. Os dados referidos correspondem ao período compreendido entre 2008 e 2015, num total de 135 países analisados.

O estudo tem como ponto de partida o Test of English as a Foreign Language (TOEFL), que avalia o potencial individual de falar e entender o inglês a nível académico, composto em quatro partes: leitura, escrita, fala e audição. Os resultados são positivos e o maior efeito encontra-se na categoria audição (25,2%), seguido pela leitura (18,3%), escrita (12,6%) e fala (11,9%).

A conclusão é que nos países onde os filmes e séries são legendados, os resultados obtidos são 3,4 pontos mais altos no TOELF, em comparação com os países que apostam na dobragem.

Um outro dado indica que, em média, 58% da população é capaz de manter uma conversa em inglês nos países que passam filmes na versão original. No caso dos países que usam versões dobradas, a percentagem desce para 32%.

Na Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca ou Holanda, nove em cada 10 cidadãos diz concordar com as conclusões obtidas, preferindo legendas a dobragens. Já em França, Espanha ou Itália, apenas 30% concordam e na Alemanha a percentagem desce para 20%.

Entre as razões pelas quais cada Estado escolheu um dos três modelos possíveis — dobragem, tradução ou voice-over, o relatório identifica o tamanho do país, a importância do idioma e a quantidade de filmes importados como variáveis relevantes a ter em conta. As nações mais pequenas, menos povoadas, em países cuja língua apresenta uma escassa difusão mundial e uma menor produção cinematográfica nacional tendem a optar por legendas.

A presença de regimes ditatoriais em Espanha, em Itália ou na Alemanha impôs, na época, a dobragem como veículo de preservação da língua, embora o estudo afirme não encontrar evidências claras de que a maior ou menor democracia do sistema explique também a preferência por legendas ou dobragem.

Netflix e o filme “Roma”

Lançado em dezembro na Netflix, o filme “Roma”, que se passa no México nos anos 1970, é falado numa mistura de espanhol do país e no dialeto mixteco. No entanto, a Netflix converteu as legendas do espanhol mexicano em espanhol castelhano, uma decisão dos serviços de distribuição espanhol que não agradou ao diretor Alfonso Cuarón.

Em declarações ao jornal El País, o diretor diz que “essa atitude é paroquiana, ignorante e ofensiva para os próprios espanhóis”. A justificação dada pelo serviço de streaming é que os espanhois não compreenderiam certas expressões e regionalismos utilizados no filme." Roma" é um dos favoritos ao óscar da edição deste ano.

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