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Saiba onde pode ver as suas séries preferidas

“A Guerra dos Tronos”, “Stranger Things” ou os próximos episódios de “Star Wars”. É provável que a sua série ou filme favoritos estejam disponíveis literalmente fora da caixa. O streaming é a nova forma de ver televisão e há cada vez mais oferta

Já houve um tempo em que a televisão era a maior ameaça, o papão que ia levar tudo à frente — da rádio aos jornais, passando pelos livros. Hoje, a televisão parece vítima de si mesma. Os canais de streaming, que fogem à programação tradicional e deixam ao utilizador a escolha do que ver e quando ver, estão a aumentar. A oferta de novos produtos de televisão, que funcionam através da internet, é cada vez maior e, com ela, também a fatura ao final do mês. A Netflix foi a primeira a chegar a Portugal, mas já existem várias alternativas mais baratas. Com o novo ano chegam outros gigantes.

Desde de 2015 que, de acordo com um estudo da Nova Expressão, os portugueses gastam mais tempo na internet do que com a televisão. Em 2018, o Bareme Internet, da Marktest, revelou que para 22,6% da população o consumo online de filmes e séries já é um hábito adquirido.

“La Casa de Papel”

“La Casa de Papel”

A Netflix entrou no mercado português em 2015 com a promessa de oferecer “uma nova forma de ver TV”. Disponível a partir de €7,99 depois de um mês de experiência grátis, o serviço permite ver filmes e séries em qualquer dispositivo com acesso à internet e descarregar os conteúdos para os ver offline. O arranque foi lento. Um relatório da Anacom revelou que em 2016 apenas 2% dos portugueses eram subscritores. Apesar da fraca adesão no primeiro ano, este era o serviço de streaming mais popular em Portugal. Segundo o Barómetro de Telecomunicações, da Marktest, em agosto de 2017, 48,2% dos portugueses conheciam a Netflix.

A popularidade da maior plataforma de streaming por subscrição em todo o mundo foi confirmada em novembro de 2018. Um novo estudo da Marktest mostrou que este serviço é o mais referido pelos portugueses para consumo de série e filmes online. Apesar de não revelar o número concreto de subscritores em Portugal — globalmente são 130 milhões, dos quais 73,46 milhões fora do mercado norte-americano —, a marca afirma que o crescimento no país está a ir ao encontro das expectativas. Em declarações à Lusa em junho de 2018, Yann Lafarge, diretor de tecnologia e de comunicação para a Europa, avançou que estavam no “caminho certo” para alcançar 30% do mercado em sete anos.

Os utilizadores têm sido atraídos pelos conteúdos de outros estúdios — como é o caso dos filmes “Piratas das Caraíbas” e “Vaiana” (ambos da Disney) ou das séries “Walking Dead” (da AMC), “Sherlock” (BBC) ou “Friends” (NBC) — e pelos conteúdos originais. “Orange is The New Black” (2013) foi uma das primeiras séries originais a ganhar notoriedade. A história de Piper Chapman, uma rapariga privilegiada de Nova Iorque condenada a 15 meses de prisão por um crime que cometeu na juventude, conquistou a crítica e recebeu 47 prémios, incluindo quatro Emmys. Paralelamente, a história de Francis Underwood, o político ambicioso que circula nos mais altos círculos políticos de Washington, retratada em “House of Cards” (2013-2018) foi a primeira série produzida para a internet a ser premiada, ao ganhar três Emmys em 2013.

No total, a revista “The Economist” estimou que em 2018 a plataforma iria investir cerca de 11 mil milhões de euros em conteúdos originais. Durante este ano destacou-se a assinatura de contratos de exclusividade com grandes nomes da indústria como Shonda Rhimes (criadora de “Anatomia de Grey” e “Como Defender um Assassino”) e a inclusão de atores consagradas como Julia Roberts, Adam Sandler e Ben Stiller nas produções. O último ano ficou ainda marcado pelo anúncio da aposta na animação e pelo reforço da produção fora do universo anglo-saxónico. Com o vasto investimento na Europa, surgiram conteúdos de sucesso em línguas como o alemão ou espanhol. O grande destaque em Portugal foi, no entanto, para a espanhola “La Casa de Papel”. A série, que causou sensação na última primavera, conta a história de um grupo de ladrões que prepara o assalto do século à Casa da Moeda espanhola.

“The Man in The High Castle”

“The Man in The High Castle”

Em Portugal há várias alternativas legais e mais baratas do que a Netflix. A Amazon Prime Video — o primeiro concorrente direto a entrar em Portugal — também oferece um período experimental gratuito e os primeiros seis meses custam €2,99/mês, subindo depois para €5,99. A plataforma tem também apostado em conteúdos originais. “The Man in The High Castle” (2015) venceu dois Emmys e cria uma realidade alternativa em que os Aliados perderam a Segunda Guerra Mundial.

Com dois Globos de Ouro surge a comédia “The Marvelous Mrs. Maisel” (2017), sobre uma dona de casa dos anos 50 que decide tornar-se em comediante de stand-up. Até agora nenhum alcançou tanta popularidade como a concorrência, mas destacam-se os projetos com nomes bem conhecidos como “Crisis in Six Scenes”, de Woody Allen, e “Jean-Claude Van Johnson”, protagonizada por Van Damme.

Os portugueses na corrida

O estudo da Marktest de 2017 destacava a NOS Play, da operadora NOS, como a plataforma portuguesa mais popular. Disponível por €7,5/mês para PC, tablet e smartphone, a plataforma disponibiliza séries e filmes de várias produtoras e tem os direitos exclusivos de “The Handmaid’s Tale”, o drama de ficção científica sobre uma realidade futurística em que as mulheres férteis são forçadas a viver como escravas para fins reprodutivos. A operadora tem também um acordo com a Fox Play, que permite aos clientes aceder gratuitamente a esta plataforma que disponibiliza todas as séries dos canais Fox. A Vodafone também oferece a Fox Play.

Já os clientes da MEO têm a MEO Go gratuitamente, uma plataforma que oferece o serviço de televisão noutros dispositivos. É possível ver os canais em direto ou recuar até sete dias na programação, assim como ver os filmes alugados no VideoClube. Também gratuita, a RTP Play permite ver televisão e ouvir rádio em direto ou assistir aos conteúdos já emitidos.

Exclusivamente dedicada ao cinema independente, a Filmin é uma plataforma portuguesa cofinanciada pela União Europeia. Com o objetivo de “oferecer um número limitado de títulos de reconhecido valor, premiados, prestigiados”, está disponível a partir de €6,45/mês ou com um pagamento anual único de €55.

Apostas de nicho

Com uma filosofia semelhante à Filmin, a Mubi oferece cinema de autor, filmes de culto e títulos independentes. Todos os dias, o projeto — que também é cofinanciado por fundos europeus — disponibiliza um filme novo e retira outro, tendo sempre 30 filmes no catálogo. As primeiras três mensalidades custam €1, subindo depois para €8,99. Existem descontos para professores e estudantes de cinema, mas a plataforma não oferece legendas em português.

Também disponível está o YouTube Premium. Com um custo mensal de €8,49, a plataforma de streaming para música permite ver vídeos sem anúncios, continuar a ouvir a música quando se muda de aplicação e oferece conteúdos originais. A oferta vai desde vídeos exclusivos de youtubers, a séries de ficção científica como “Origin” ou séries documentais com artistas como BTS e Ariana Grande.

Unicamente dedicada ao desporto, a Eleven Sports agitou o mercado quando entrou em Portugal em agosto de 2018 e rompeu com o monopólio da Sport TV ao adquirir os direitos sobre a Liga dos Campeões e de vários campeonatos nacionais como o espanhol e francês. Disponível a partir de €9,99/mês ou €99,99/ano, inclui, além do futebol, conteúdos de outras modalidades como basquetebol, ténis e surf. A plataforma de streaming surpreendeu pela estratégia nas redes sociais — em 2018 foram transmitidos em direto oito jogos no Facebook, com um alcance de 374 mil pessoas. Em comunicado, a empresa anunciou que no final do ano a aplicação já tinha sido descarregada 200 mil vezes e site oficial registado mais de oito milhões visualizações.

Mais opções em 2019

O novo ano é marcado pela chegada do streaming da HBO, o canal norte-americano que é a casa original de “Guerra dos Tronos” e “Sexo e a Cidade”. Apesar de não haver ainda confirmação oficial ou data de lançamento — a “Visão” avança que será no primeiro trimestre — todos os sinais indicam que a gigante está a preparar a entrada em Portugal. Em julho de 2018 surgiram quatro vagas no LinkedIn para constituir uma equipa local e a TVSéries (canal detido pela NOS que se apresentava como a “casa da HBO”) admitiu estar a “rever o âmbito da parceria”, sendo que duas das séries mais aguardadas do ano —o thriller sobre uma jornalista (“Sharp Objects”) e o drama sobre uma família que controla um grande grupo de media (“Succession”) — já não estrearam no canal português.

Nos Estados Unidos, o serviço está disponível em dois modelos, a HBO Go (associada a uma operadora) e a HBO Now (sem vínculo). Caso seja seguida e mesma linha de negócio da HBO Espanha, a plataforma estará disponível por €6,99, mas apenas para uma operadora. É possível que as novas temporadas de originais como “Guerra dos Tronos”, “Westworld” e “Big Little Lies” não cheguem à plataforma portuguesa ao mesmo tempo que nos EUA, porque os direitos exclusivos de estreia são detidos por canais portugueses.

O ano de 2019 é também apontado como o do lançamento internacional da Disney+. Apesar de também não haver confirmação oficial, o site está disponível em português, indiciando a possibilidade de chegar ao nosso país ainda este ano. A empresa do rato Mickey tem os direitos sobre a Disney, Pixar e Star Wars. Com a compra da 21st Century Fox, passou também a deter os conteúdos da National Geographic e grande parte dos super-heróis da Marvel. Para já, sabe-se apenas que irá incluir uma prequela original de “Star Wars” sobre Cassian Andor e uma série sobre Loki, personagem de “Os Vingadores”. Quanto ao preço, o CEO da Disney, Bob Iger, garantiu apenas que será mais barato do que a Netflix.

Das grandes plataformas ocidentais fica apenas a faltar a chegada da Hulu. O serviço, que com a compra da 21st Century Fox passou a ser maioritariamente controlado pela Disney, é a casa original de “The Handmaid’s Tale” e “Castle Rock”. Iger anunciou em novembro que esta continuará a ter conteúdos direcionados a adultos e que existem planos para a expansão internacional.

NETFLIX

Filmes e séries, conteúdos originais

A partir de €7,99/mês

AMAZON PRIME VIDEO

Filmes e séries, conteúdos originais

Primeiros seis meses: €2,99/mês; depois: €5,99/mês

NOS PLAY

Filmes e séries

€7,5/mês

FOX PLAY

Séries dos canais Fox

Grátis para clientes NOS e Vodafone

MEO GO

Televisão em dispositivos móveis

Grátis para clientes MEO

RTP PLAY

Televisão e rádio em direto e diferido

Grátis

FILMIN

Filmes

A partir de 6,45€/mês

MUBI

Filmes

Três primeiros meses: €1/mês; depois: €8,99/mês

YOUTUBE PREMIUM

Música e vídeo, conteúdos originais

€8,49/mês

ELEVEN SPORTS

Desporto em direto e diferido

€9,99/mês ou €99,99/ano

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