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Vida Extra

Javier Marías, um dos melhores escritores do mundo. “É preciso lutar contra a coerção do medo”

Tem mais de 40 livros publicados e é o maior escritor espanhol da atualidade, e nada disso aconteceu depressa. Começou cedo e foi jovem autor até se aperceber que um outro, de idêntica memória, o havia usurpado. Aos 67 anos, faz o que faz para passar o tempo. Para entender este mundo “cada vez mais estranho”

Francis Tsang / Getty Images

Madrid acordou em pleno furor religioso. Era Dia de La Almudena, padroeira da cidade, e houve missa na Plaza Mayor. Javier Marías ouviu-a pelos altifalantes logo cedo, e a sua rua encheu-se de orações, danças e turistas. Vive num terceiro andar na Plaza de la Villa, praceta com quatro séculos a minutos da Catedral, no meio da agitação. E, no entanto, a sala onde nos recebe é um labirinto sépia, forrado a livros, a secretária ao fundo e a máquina de escrever elétrica a surgir como única cedência tecnológica, Bach a desprender-se de um CD, soldadinhos de chumbo nas prateleiras, e fumo, fumo dos cigarros já fumados, porque ele fuma muito e não gosta de dizer quanto — “levar a contagem das coisas não tem a ver comigo” — e por isso a nuvem já faz parte do cenário. Madrid ao fundo, Bach lá dentro, e a frase “se quiser beber alguma coisa, interrompa-me” a iniciar uma conversa que durará mais de duas horas e será pontuada pelo abrir e fechar das janelas, e que no fim poderia ter voltado a começar.

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