Perfil

Vida Extra

Fã de “O Perfume”? Há uma nova série criminal que tem o livro como ponto de partida

Baseada no livro homónimo de Patrick Süskind, a série alemã “O Perfume” é um thriller televisivo de seis episódios. Conta com realização de Philipp Kadelbach e já está disponível em streaming

Um corpo nu encontrado numa piscina, sem vida, mutilado. E um sem-número de pistas gravadas naquele cadáver de mulher, mas também para lá dele. Trata-se de Katharina Läufer (Siri Nase), uma cantora de longos cabelos que agora é descoberta sem qualquer cabelo, esventrada e com as glândulas sudoríparas das axilas e da zona genital arrancadas. O cenário apresentado no início de “O Perfume” cheira a morte, e esta vai acompanhar a história até ao fim. Na companhia daqueles que lhe são mais próximos.

Tudo começou há muitos anos, quando os seis frequentavam ainda o liceu, e a passagem à idade adulta em conjunto moldou para sempre quem hoje são. Quem visse Katharina (‘K’), Moritz, Elena, Roman, Daniel (‘Desdentado’) e Butsche em separado julgaria que nada têm em comum, mas o que os une é algo demasiado forte para ser ignorado. A narrativa torna-se cada vez mais densa à medida que novas informações são dadas, mas com o desenrolar dos acontecimentos fica-se com a certeza de que a relação entre os amigos de K. não é como à partida parece.

Há segredos do passado que assombram as relações entre os pares e é nos tempos de liceu — os flashbacks são recorrentes — que estão muitas das respostas que se procuram serão dadas. O livro “O Perfume”, que todos leram e que os levou a criarem o Clube do Olfacto, terá algumas delas e esta é apenas uma pista sobre o que há de vir.

Um novo “Perfume”
Mas o que há numa série alemã como esta para começar a cativar a atenção dos telespetadores? Primeiro tem o fator reconhecimento a seu favor, conseguido a partir do título que partilha com o romance de Patrick Süskind, e isso não é de somenos quando o que está em causa é uma produção televisiva numa língua pouco falada fora do território alemão. Soma-lhe ainda o poder de um outro gigante.

O romance do escritor alemão foi traduzido para 48 línguas e vendeu mais de 20 milhões de cópias (a edição portuguesa é da Editorial Presença) e já deu até origem a um filme em 2006 — “O Perfume: História de um Assassino”, com realização de Tom Tykwer —, o que faz disparar a probabilidade de os utilizadores estarem familiarizados com o título. Depois tem o poder e dinheiro da Netflix, que aqui assume a distribuição internacional de uma produção da Constantin Films com o canal ZDFneo e que está a fazer com que a história de Süskind viaje para novas geografias. E se apresente num novo tempo.

Ao contrário da narrativa original, passada no século XVIII, a série “O Perfume” (comprada pelo gigante do entretenimento durante o Festival de Berlim) passa-se na atualidade e isso dá-lhe um novo fôlego, mas não é tudo. Esta versão, “levemente inspirada” no original, é um thriller criminal onde o que está em causa é a investigação à morte de K. Quase tudo gira em torno dela. E dos cheiros. E das imagens que cada um guarda para si.

Desengane-se quem achar que haverá algum glamour na forma como os corpos são apresentados — sim, esta é uma série com uma forte componente gráfica, onde não faltam vítimas habilidosamente mutiladas —, mas isso não faz desta uma produção com uma má fotografia. É até esse um dos seus trunfos: as imagens são cuidadas, têm uma cor esverdeada bem trabalhada e conta com belos planos.

August Diehl, Natalia Belitski, Ken Duken, Christian Friedel e Trystan Püttter interpretam os amigos e suspeitos do crime Moritz, Elena, Roman, ‘Desdentado’ e Butsche, que em “O Perfume” é investigado por Nadja Simon (Friederike Becht), Grünberg (Wotan Wilke Möhring) e Matthias Köhler (Jürgen Maurer). Composta por seis episódios cujos títulos remetem para as fases de criação de um perfume (‘Âmbar-cinzento’, ‘Escatol’, ‘Síntese’, ‘A terceira substância’, ‘Notas do coração’ e ‘Cativeiro’), todos realizados por Philipp Kadelbach a partir de um argumento de Eva Kranenburg, a série já está disponível no Netflix. “O Perfume” do streaming tem um cheiro muito diferente do apresentado pelo perfumista e assassino Jean-Baptiste Grenouille de Patrick Süskind.