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George Orwell: Este homem teve razão outra vez

Em 1948, na ilha escocesa de Jura, George Orwell pôs o ponto final na obra que lhe ocupou os últimos sopros de vida. E “1984” nascia para marcar o mundo para sempre. Poucas obras foram tão faladas, comentadas e criticadas, recriadas, temidas e admiradas como esta. Porque poucos conseguiram dissecar o totalitarismo de um modo tão assustador e eficaz

Era um dia frio e ensolarado de abril, e os relógios batiam 13 horas.” Talvez esta primeira frase do livro seja, de todas as que o compõem, aquela de quem ninguém se lembra. É uma moldura perfeita a conter uma fotografia horrível. Contradiz tudo o que vem a seguir, o que não lhe retira interesse — antes o duplica. Por que razão George Orwell quis que uma frase banal, quase feliz, inaugurasse o seu romance mais escuro? Porque é que um dia ensolarado de abril serviria de abertura a uma das peças literárias mais perturbadoras da História? Escrita há 70 anos, nada nela antecipa o mundo em que se insere. Nada alerta para o pesadelo que, a partir dela, como que nascendo dela, seria a seguir desenhado. Nada nesse inocente relógio a bater as 13 horas nos diz que 13 horas são essas, que fixaram um tempo futuro para o dominar para sempre. Se “1984” provocasse apenas estranheza, nunca teria sobrevivido tantos anos. A sua sobrevivência — a sua persistente atualidade — deve-se ao reconhecimento: reconhecemos esse mundo no nosso, e cada vez mais.

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