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Vida Extra

Uma casa “infantil” pintada de vermelho, para que mais ninguém se perca entre a paisagem

Um arquiteto a passear entre sobreiros e pinheiros mansos perdeu o jipe, mas encontrou a resposta que procurava

João Guimarães - JG Photography

Nesta história há três Luís, que são na verdade um só. O Luís Arquiteto passeia com o Luís Cliente, ainda sem saber quando e onde se viria a tornar Luís Proprietário. Estão na Herdade da Considerada, 500 hectares de terreno árido, perto de Alcácer do Sal, onde a paisagem se repete com a precisão de um relógio e onde “é mais fácil perder o carro do que no parque de estacionamento de um hipermercado”, Valério Romão dixit. E os dois primeiros Luís desta história perderam mesmo. Estavam num jipe à procura do melhor lugar para construir uma casa, a meio do passeio decidiram deixá-lo para palmear a propriedade a pé e no fim não sabiam onde ele estava.

Foi assim que nasceu uma casa vermelha de formas aparentemente simples, “de desenho infantil e cor marcante”, que faz exatamente o oposto do que costumam fazer os espaços projetados pelos escritórios da lisboeta Rebelo de Andrade (que são também os apelidos do Luís Arquiteto): ser visível. “A ausência de referências construídas e a facilidade de perda de orientação levou a que este projecto fosse visto como um marco geodésico”, explica a empresa ao Vida Extra. Retrata Valério Romão, que escreveu para o site de apresentação da casa da Considerada: “é a arquitectura a fazer as vezes dos pontos de referência que desde eras primordiais guiaram os homens, complementado a paisagem com um edifício de abrangente visibilidade”.

E é também a recuperação de “um imaginário colectivo e romântico que todos partilhamos: o da casa na pradaria, o da vida dos pioneiros e dos conquistadores do oeste americano, tantas vezes retratado nos westerns e que perduram na nossa memória constitutiva, a despeito do tempo e da consciência intencional que possamos ter deles”, complementa o escritor.

Sobre o interior da casa, habitada pelo terceiro Luís desta história e respetiva família, há também algumas coisas a dizer, como o facto de ser movida a painéis solares e termo-coletores, que aumentam a eficiência energética do espaço, ter “ambientes simples, confortáveis e tradicionais”, feitos de paredes e tetos brancos, soalho de madeira e casas de banho de mármore também branco, a contrastar com a cor forte que vemos de fora.

Junto à casa, um armazém “serve de alojamento às alfaias e máquinas agrícolas, tendo também uma área técnica que permite à casa ser 100% autónoma e não precisar de receber energia e água da rede pública”, esclarece a Rebelo de Andrade.

Na galeria acima publicada, pode ver as fotografias de João Guimarães.

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