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Inédito. Exposição apresenta três desenhos de Santa Rita Pintor revelados em maio

Além dos três desenhos — autênticas raridades -, estará exposto “Orfeu dos Infernos”, quadro com uma das pinturas do modernista, que não era visto em Portugal desde 1925

Retrato de Santa Rita já perto da morte, desenhado pelo amigo João Saavedra Machado e publicado pela primeira vez por Henrique Vilhena

Ainda não é a tal “exposição que faz falta” de que o Expresso falou em maio deste ano, por ocasião da série de conferências na Faculdade de Belas Artes de Lisboa que serviu para homenagear Santa Rita Pintor. Mas é o primeiro grande vislumbre na obra de um artista por motivos óbvios praticamente desconhecido - Guilherme de Santa Rita, como foi batizado, mandou queimar todos os trabalhos que tinha em sua posse.

À Guarda chega então o nunca visto, três desenhos que só nessas mesmas conferências se soube que existiam. Disse-o o investigador Fernando Rosa Dias, sem que entretanto qualquer deles tenha sido revelado. Até agora, 7 de novembro, dia de arranque do “3º Salão de Outono - Aberto para Obras”, do Museu da Guarda, que este ano destaca o Futurismo e Surrealismo portugueses. Por isso mesmo, há vida além de Santa Rita, mas é a dela a que mais curiosidade desperta, quando passam precisamente 100 anos da sua morte.

O trio de desenhos é especial por ser raro, por um deles manifestar a proximidade com a escola modernista, a juntar ao que publicou nas revistas “Orpheu” e “Portugal Futurista” e ao quadro exposto no Museu do Chiado, “Cabeça”, e pela possibilidade dos outros dois conterem auto-retratos do artista enquanto jovem (Santa Rita morreu aos 28 anos), algo só visto na coleção da Fundação Calouste Gulbenkian, em desenhos datados de 1911. Feitos a lápis, foram comprados na década de 50 pelo livreiro-alfarrabista Américo Francisco Marques a outro pintor, José Campas, companheiro de Santa Rita na aventura parisiense do início do século.

“É um momento singular no ano artístico português, o mesmo em que se assinala o centenário da morte deste nome fundador do nosso modernismo e pertencente ao grupo da revista Orpheu”, afirma João Mendes Rosa, diretor do museu guardense. Onde se fala de “Orpheu” deve também falar-se de “Orfeu dos Infernos”, obra publicada em 1917 na “Portugal Futurista” e apresentada pela primeira e última vez ao público no I Salão de Outono de Lisboa, em 1925. Feito pelo artista durante o período de estudos na Escola de Belas Artes de Lisboa, é parte da coleção do empresário Armando Martins e objeto de debate no universo santa-ritiano.

O “3º Salão de Outono - Aberto para Obras” começa esta quarta-feira, 7 de novembro, pelas 18h30, e estende-se até ao início do próximo ano, fechando as portas no dia 8 de janeiro,

Desenho - Santa Rita Pintor

Desenho - Santa Rita Pintor

Museu da Guarda

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