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 A mítica obra "Café", de Candido Portinari, regressa a Portugal 78 anos depois de exposta pela primeira vez

Estreou-se em 1940, no Pavilhão do Brasil da “Exposição do Mundo Português”, em Belém. Agora é apresentada na mostra “Candido Portinari em Portugal”

A mítica obra "Café", do artista brasileiro Candido Portinari (1903-1962), estará no centro de uma exposição dedicada ao artista que o Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, vai inaugurar a 20 de outubro.

"Candido Portinari em Portugal" dá título a esta mostra que acontece no âmbito das celebrações do 11.º aniversário do museu, e que ficará patente até 03 de março de 2019, evocando "as passagens e a presença deste nome maior da pintura brasileira" em Portugal.

O principal destaque desta exposição será a obra "Café", cedida pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, no Brasil, e que regressa a Portugal 78 anos depois de estar exposta pela primeira vez em 1940, no Pavilhão do Brasil na "Exposição do Mundo Português", em Belém.

Portinari, um dos pintores mais populares do Brasil, integra-se no modernismo original. Destacou-se como pintor social, "preocupado com a pobreza, as dificuldades, a dor" do seu país, que mostrou em cores fortes, como destaca a biografia do "Projeto Portinari", mas foi superando o academicismo inicial, ligando a pintura cada vez mais à comunicação visual.

Este projeto expositivo no Museu do Neo-Realismo, com curadoria da diretora científica do museu, Raquel Henriques da Silva, e de Luísa Duarte Santos, apresenta outras obras relevantes de Candido Portinari, reunindo todas as que existem em Portugal do pintor. A intenção da curadoria é que, à volta de "Café", as obras "permitam celebrar o artista estrangeiro que mais obras tem em Portugal", e recordar a sua proximidade ao ideário neorrealista português.

"Candido Portinari em Portugal" apresenta pinturas e desenhos cedidos pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (Lisboa), Museu Nacional Soares dos Reis (Porto), Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa), Casa da Achada -- Centro Mário Dionísio (Lisboa), Museu Ferreira de Castro (Sintra) e Fundação Millennium BCP (Lisboa), além de fundos documentais do próprio Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira).

No ano passado, duas das mais importantes obras de Portinari, resgatadas de um incêndio ocorrido em 1949, foram expostas no Museu do Chiado. As obras intitulavam-se "Chorinho" e "Cavalo-marinho", e foram inseridas na exposição "A Mão-de-olhos-azuis de Cândido Portinari", com curadoria de Maria de Aires Silveira, que ficou patente de outubro a dezembro naquele museu. Estes dois painéis pertenciam a um conjunto de oito, de temática musical, pertencentes à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, e foram os únicos sobreviventes de um incêndio ocorrido na emissora, em 1949.

A exposição "Candido Portinari em Portugal", no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira, tem o Alto Patrocínio do Presidente da República e é inaugurada no dia 20 de outubro, sábado, pelas 16:00, contando com as presenças do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, da diretora do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Mónica Xexéo, e do filho de Candido Portinari, o professor João Candido Portinari. O comunicado do Museu do Neo-Realismo recorda que tem dedicado os seus 11 anos de existência à investigação e divulgação do movimento neorrealista.

Ao longo destes anos, nas atuais instalações, projetadas pelo arquiteto Alcino Soutinho, "têm sido exponencialmente multiplicadas as redes de contactos e as colaborações com curadores e universidades, que têm trazido novos olhares sobre o movimento neorrealista e as suas diversas expressões artísticas".

Vocacionado para o estudo e divulgação deste movimento literário, o Museu do Neo-Realismo, cuja gestão está a cargo da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, "tem vindo a promover uma prática continuada de investigação em torno do seu património, apostando, simultaneamente, em conteúdos programáticos de rigor crítico e amplitude interpretativa".

Desde outubro de 2007, o museu produziu uma média de dez exposições biobibliográficas, documentais e de artes plásticas por ano, a maioria das quais documentadas pela edição de catálogos.