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Carnaval no Pará: há 40 anos a tentar salvar os animais da Amazónia

Crianças usam fantasias realistas de bichos da floresta. Uma tradição com décadas e muita cor

MAURO PIMENTEL/Getty

“Natureza é a vida” é com essa música de Carnaval, que o bloco “O Cordão da Bicharada” abre alas para os animais da selva amazônica invadir a festa do desfile. São fantasias de araras, jacarés, cobras e vários outros animais que as crianças do Cordão usam de modo a alertar para a importância de cuidar da natureza.

O Carnaval no Brasil é lembrado por carros alegóricos gigantes, desfiles com muito brilho e roupas extravagantes - e caras. Mas “O Cordão da Bicharada” é diferente. O desfile acontece em Juanda, uma cidade de 13 mil habitantes no estado do Pará (cuja capital é Belém) e é todo produzido pelo Mestre Zenóbio, conhecido na região por “o rei da bicharada”.

Zenóbio tem 70 anos de idade e segue a tradição que veio do seu pai, há 43 anos. As fantasias são produzidas a partir de restos de vegetais, serapilheira (um tipo de tecido grosso usado para fazer sacos), espuma, pelúcia e diversos outros materiais que são recicláveis.

O Mestre conta que, além de uma brincadeira, a intenção é aproximar os humanos e os animais. E o que começou com poucas pessoas, e com fantasias de apenas 20 animais, hoje já conta com 120 representações de espécies.